Protagonismo das mulheres na Universidade e na Arte
A arte é uma prática social, política, ética e estética. É corpo em movimento, gesto de pensamento e expressão de mundos possíveis. Quando esse corpo é protagonizado por mulheres, a arte se torna também um campo de resistência — um espaço de luta por visibilidade, reconhecimento e transformação. O corpo feminino na arte não é apenas o corpo representado, mas o corpo que cria, que pensa e que reivindica lugar.
Historicamente, as mulheres sempre estiveram presentes na produção artística — como bailarinas, musicistas, artistas visuais, atrizes, diretoras, escritoras e tantas outras —, mas por muito tempo permaneceram à margem do reconhecimento institucional. A ausência de seus nomes nos livros, nas galerias e nos acervos não reflete falta de produção, mas um apagamento sistemático. Trazer a mulher artista à cena principal é, portanto, um gesto político: é reconhecer a arte como produção de saber e reconhecer as mulheres como produtoras desse saber sensível e potente.
Na universidade, esse reconhecimento se amplia e se torna um ato reparador. Dar visibilidade às mulheres na arte é também reposicionar o lugar do conhecimento feminino na academia — um espaço historicamente atravessado por hierarquias de gênero. Como provocaram as Guerrilla Girls: “As mulheres precisam estar nuas para entrar nos museus?” A pergunta ainda ecoa, desafiando instituições a revisarem suas práticas e estruturas.
É nesse contexto que surge a mesa de discussão “Elas na Arte: protagonismo feminino, universidade e resistência”, um espaço para debater e lançar encaminhamentos políticos, administrativos, de pesquisa e de criação que possam fortalecer a presença das mulheres na arte e na universidade.
Como primeira ação desse movimento, a edição especial da Revista MOV propõe-se a reunir produções e reflexões sobre o protagonismo feminino no campo artístico e acadêmico.
A Revista MOV destina-se a acolher produções em diferentes formatos e manifestações artísticas, abrangendo os diversos campos de conhecimento do ICA: Cinema e Audiovisual, Dança, Design de Moda, Filosofia, Gastronomia, Jornalismo, Música, Publicidade e Propaganda e Teatro. Distante dos padrões convencionais de revista científica, a MOV assume caráter fluido e livre, transitando entre ciência, cultura e arte. Publica ensaios, entrevistas, resenhas críticas, resultados de pesquisa, ensaios fotográficos, ilustrações, obras sonoras e audiovisuais — formas múltiplas de pensar e fazer arte.
A edição especial "Elas na Arte" reúne trabalhos de cinco artistas-docentes que impulsionam a discussão sobre a presença e o protagonismo feminino na universidade no ato de apresentarem seus trabalhos nessa produção. O movimento foi iniciado por mim, vice-diretora do ICA, Denise Parra, também artista-docente, mas a ideia é que se torne um movimento amplo, cheio de artistas da universidade, e que esse encontro funcione como um grande disparador de novas discussões, colaborações e ações coletivas. Ele se propõe como espaço de resistência, visibilidade e, por vezes, denúncia.
Ao valorizar a produção feminina e promover a articulação entre mulheres, a MOV reafirma o papel da arte como ferramenta de transformação social, política e simbólica. Fortalece a coragem de discutir as diferenças de gênero e amplia o reconhecimento do trabalho artístico e intelectual das mulheres na universidade e na sociedade.